Quando uma pessoa é internada, a ela é negada a sua casa, a decoração que a faz sentir acolhida, o cheiro de sua própria roupa de cama. É rompida a sua rotina, do convívio com os familiares, dos seus afazeres diários, do seu trabalho. Tiram-lhe as roupas, o direito de comer o que quiser, o direito de dormir quando quiser. Entram estranhos em seu quarto, manipulam partes de seu corpo, e muitas vezes não se comunicam, não interagem, não explicam o que está acontecendo. Tudo em prol da recuperação, da cura.
Assim esquecemos do cuidado maior com o ser humano que ali esta, esquecemos de perguntar o seu nome e de nos disponibilizarmos ao encontro, que promove a cura e o bem estar.O que ocorre na verdade é que o paciente é resumido a um nome científico qualquer referente a uma infecção ou a um órgão deficiente.
Ele é um caso para os médicos!
Como se não bastasse a fraqueza e a dor, o paciente, muitas vezes sem assistência de parentes, involuntariamente se torna dependente, um adulto submetido às ordens, muitas vezes, de residentes. Como devolver-lhe a identidade?
Por outro lado, temos a medicina como a profissão mais estressante de todas. Anos de estudo e dedicação para encontrar uma realidade bem diferente no dia a dia dos hospitais. Falta de estrutura, carga de trabalho desgastanste, e a sobrecarga emocional. Tudo isso vem afetando o medico e muitos estão doentes. Tratando seus pacientes muito mal, com grosseria e agressividade, sintomas de stress.
O que um jovem procura quando escolhe a medicina? O que um paciente procura quando vai a um posto médico? Cuidar e cuidar do cuidador é uma tarefa que implica em atenção deste profissional, que muitas vezes esquece de si mesmo.
* Fernanda Reis é psicóloga especializada em humanização no atendimento hospitalar. |